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cesarea

Muitas mulheres sofrem por não terem conseguido parir por parto normal, como se isso as tornasse menos mulher…

Por que ocorre essa cobrança?

Porque no Brasil é como se existissem dois grupos:

  1. As que se rendem à cultura cesarista, conscientemente ou não (maioria).
  2. As que conseguem evitar (minoria).

Quando se dedicam a estudar sobre o assunto com afinco, as mulheres percebem as vantagens do parto normal, assistem lindos vídeos de partos humanizados no youtube, e ficam encantadas (com razão, é lindo mesmo!!! #doulaapaixonada).

Então, se dedicam a se preparar para o parto normal, fazem exercícios, contratam doulas, participam de oficinas de preparação, assistem palestras etc.

Mas, esquecem que as circunstâncias podem levá-las para a cesárea e não se preparam para essa possibilidade.

Nós, doulas, alertamos sobre isso, mas, muitas vezes somos ignoradas, afinal, “eu vou conseguir meu parto normal!”

É ótimo que a mulher esteja empoderada o suficiente para acreditar que consegue o parto normal!

E… se dependesse só dela, conseguiria mesmo!!!

Mas, infelizmente, a realidade no Brasil é muito mais cruel…

Vivemos em uma cultura em que as mulheres são iludidas. São informadas de que, no seu caso,  a única alternativa era a cesárea, e, quando descobrem que o seu “parto normal foi roubado”, se sentem frustradas, enganadas.

De fato, existem inúmeros motivos de caráter duvidoso para indicar uma DESNEcesaréa, como: ameaça de parto prematuro, anemia, anencefalia, tabagismo, uso de antidepressivos, trânsito, violência urbana etc

Vejam alguns outros citados por Amorim & Duarte (2016) .

Não estaria citando aqui para vocês se já não tivesse ouvido muitas histórias assim também.

Também já ouvi, diversas vezes, que a gestante deveria marcar a cesárea porque o bebê era grande demais e não teria passagem…

De fato, a desproporção cefalopélvica é motivo para a cesárea. Mas não tem como ninguém saber se isso acontecerá até que a mulher seja avaliada durante o trabalho de parto ativo. Então, a menos que seu médico seja um paranormal, ele não poderá prever isso.

Outra desculpa clássica que deve ser analisada com calma é falta de dilatação. Eu diria que a maior parte das vezes em que esse motivo é alegado se deve a dois motivos: falta de informação da mãe que foi para o hospital antes da hora e pressa da equipe médica.

Importante lembrar que, as vezes, a cesárea é indicada para salvar o bebê, a mãe ou ambos. Mas, os atuais índices de cesárea no Brasil contrariam as recomendações da Organização Mundial de Saúde – OMS :

 “Temos investido fortemente em diversas ações para incentivar o parto normal, porque atualmente o Brasil vive uma epidemia de cesáreas – que se tornaram, ao longo dos últimos anos, a principal via de nascimento do país, chegando a 55% dos partos realizados no Brasil e em alarmantes 84,6% nos serviços privados de saúde. No sistema público, a taxa é de 40%, consideravelmente menor, mas ainda elevada, o que nos preocupa”, destacou o Secretário de Atenção à Saúde, Alberto Beltrame.”

“ A OMS sugere que taxas populacionais de operação cesariana superiores a 10% não contribuem para a redução da mortalidade materna, perinatal ou neonatal. Considerando as características do Brasil, a taxa de referência ajustada pelo instrumento desenvolvido pela OMS estaria entre 25% e 30%.”

Diante desse cenário, não é difícil perceber que, se a mulher não tem impedimento nenhum para o parto normal, e não consegue chegar até o fim do processo, tem grande chance do problema ter sido falta de amparo, de apoio, de paciência dos profissionais que a acompanharam.

Se você chegou a tentar, já pode se considerar uma vitoriosa porque lutou, como podia, contra a cultura cesarista da atualidade. Por isso, parabéns!!!

Dedico esse post à minha guerreira doulanda AL, que, mesmo no limite das forças, brigou pelo seu parto normal até o fim, tendo que ser submetida à cesárea…

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