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Se cada vez que eu recebo um email com frases como “eu quero morrer”, “não aguento mais”, “não sou forte o suficiente” e outras do gênero, eu pudesse escolher uma tentante para realizar seu sonho, muiiiiiiiiiiiiiiiitas já estariam grávidas…
 
Infelizmente, muitas tentantes, grávidas e puérperas sofrem com doenças mentais ou passam por momentos críticos que consomem a sua vontade de viver…
 
É relevante deixar claro que não são apenas mulheres neste período da vida que passam por isso… Pode acontecer com pessoas de qualquer idade, desde crianças aos idosos…
 
O que fazer diante disso??
 
Primeiro passo: vencer o preconceito…
 
Sabe, fazemos parte de uma cultura em que doenças mentais são vistas de uma forma muito inadequada…
 
Se encontramos um amigo com a perna quebrada, não dizemos para ele se levantar e sair andando por aí porque força de vontade resolve…
 
Mas, as pessoas que sofrem de depressão, frequentemente, escutam que devem levantar da cama e se esforçar mais, parar de chorar, deixar de frescura e coisas assim…
 
Por isso, é importante vencer o preconceito… e quando eu digo isso, não me refiro apenas ao provocado pelos outros… mas, ao próprio preconceito…
 
Sim, aceitar que está doente faz uma grande diferença na recuperação, porque te dá a oportunidade de aceitar que precisa de ajuda…
 
Segundo passo: buscar ajuda especializada..
 
Não é normal alguém ter pensamentos suicidas.. se você, ou alguém que você conhece, pensa em morrer ou em se matar, procure um psicólogo e um psiquiatra..
 
Vamos aproveitar para entender, de forma resumida, qual a diferença entre os dois?
 
O psicólogo não é um médico, e, por isso, não pode receitar medicamentos. É um profissional com formação específica em Psicologia que, ao atuar, pode escolher entre algumas abordagens possíveis. Mas o que seriam essas abordagens? Cada profissional tem um jeito de atuar e escolhe o tipo de acordo com as suas afinidades. Pode ser, por exemplo, a humanista ou a cognitivo comportamental.
 
O psiquiatra é um médico que optou por se dedicar ao estudo e prática da psiquiatria. Em outras palavras, após fazer a faculdade de medicina, optou por fazer uma especialização voltada para tratamento de doenças mentais. Por ser médico, ele pode receitar medicações.
 
Terceiro passo: seguir o tratamento até o fim..
 
As vezes, as pessoas sentem melhora e optam por abandonar o tratamento. No entanto, esse comportamento não é indicado porque pode aumentar a chance de recaídas. Por isso, é importante que tudo seja feito conforme indicado pelo psiquiatra e pelo psicólogo.
 
Para ter uma noção da gravidade da situação, vamos aos números?
 
Segundo informações do site Setembro Amarelo, a cada 45 minutos, 1 brasileiro morre vítima de suicídio. Esse número é alarmante!!!
 
Com o objetivo de conscientizar sobre a prevenção do suicídio, alertar a população a respeito desta realidade no Brasil e no mundo, bem como suas formas de prevenção, foi criada a campanha Setembro Amarelo.  
 
Como alguém próximo pode estar precisando de sua ajuda agora, que tal aprender sobre as medidas de prevenção?
 
Se informar, deixar de encarar o suicídio como um tabu, compartilhar informações sobre o assunto em redes sociais, aprender sobre as causas e formas de ajudar pode salvar uma vida! Para maiores informações, veja aqui a cartilha do CVV (centro de valorização da vida) 
 
E… no caso de suicídio consumado: o que fazer?
 
Não se culpe!!!
 
Você não é o responsável!!!!
 
Não foi você que causou a morte, foram as circunstâncias, os momentos críticos pelos quais a pessoa estava passando ou as doenças mentais que fizeram com que a sua vida fosse abreviada..
 
Agora que você passou a ser um sobrevivente de suicídio, o que pode ser feito?
 
Antes, vamos entender o que significa isso? Vamos ver o que diz o site da ABEPS (Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio)? 
 
“Sobreviventes são todas as pessoas afetadas por um suicídio: pais, filhos, irmãos, familiares, amigos, colegas etc. Além disso, pessoas que perderam alguém significativo por suicídio e aquelas que tiveram a vida afetada ou mudada por causa dessa morte são consideradas sobreviventes.”
 
Agora, é o momento de cuidar de você, certo?
 
Busque amigos que estejam dispostos a te ouvir,  aceite ajuda para questões práticas, participe de grupos com outros sobreviventes, leia sobre o assunto em sites como esse aqui, procure apoio especializado porque isso pode te ajudar bastante a lidar com a imensa dor que você sente…
 
E, acima de tudo, não se culpe…
 

 

PS: Dedico esse post ao meu amigo Vinícius que nos surpreendeu ao partir de forma inesperada… Afinal, quem poderia imaginar que depois de uma viagem maravilhosa pela Europa, um amigo tão brincalhão e divertido pudesse se despedir dessa forma?
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3 thoughts on “Eu quero morrer!!!!”

  1. Obrigada pela dedicatória. As suas observações serão de grande valia pra mim e a diversas pessoas que devem estar passando pela dor imensurável da perda de um ente querido de forma tão inesperada, no meu caso, o amor da minha vida, o meu companheiro de todas as horas, com quem vivi os melhores momentos da minha vida.
    Um beijo.

  2. Setembro Amarelo! Apoio! Con todas minhas forças… Tb qro me colocar a disposição… Sou uma sobrevivente… Infelizmente vivi de perto… Mto perto! Minha Mãe ainda antes d tirar sua própria vida tirou a de meu pai… Foram 2 partidas inesperadas! Mas sobrevivi…. Caso alguem queira conversar… Conte comigo tb!
    Estou sempre por aqui… Sou tb mãe de anjo e pré-tentante…
    Alice.janaina@hotmail.com

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